há coisas na vida
  • Home
  • Sobre mim
  • Serviços

Em silêncio, olhamo-nos durante uns segundos, que mais parecia uma eternidade, até que nos atropelamos com o que queríamos dizer.

— Desculpa, não, tu primeiro — Disse ele, com o seu cabelo desgrenhado.

Ele era tão lindo que não me cansava de olhar. Só a simplicidade dele, tornava tudo ainda mais bonito.

— Okay — Disse, ainda sem saber que palavras usar — Gostei de te ver! Estás óptimo! Desde ontem. — Ri de nervosa — Não estava a espera de te encontrar aqui… e muito menos de conhecer a tua irmã.

— Verdade! Muita coisa minha que ainda desconheces.

— Teremos tempo para isso, certamente! — Tentei esquivar-me novamente — Bom tenho de ir! — Aproximei-me dele para me despedir — O trabalho espera-me e não aparece feito! Mais uma vez gostei de te ver, diz algo para tomarmos um café — Dei-lhe um beijo na bochecha e ele retribuiu.

Aquele cheiro suave dele, cheiro a praia, a sal. Eu e os cheiros.

— Sim, digo-te mesmo, tens o meu número… diz-me quando estas disponível e combinamos. Quero estar contigo!

— Okay, beijos, fui — Caminhei em direção da porta e pelo reflexo da montra, vi-o ficar para trás sem tirar os olhos. Recebo um sinal de mensagem - “Saudades de te sentir” — Meu deus Laura, outra vez não, é que nem vais responder, olhei para dentro do restaurante e ele ainda me encarava, acenei e segui para casa.

No elevador volto a receber uma nova mensagem, desta vez era do Fred. "Queres fazer algo hoje?" Perguntava. Desde que aconteceu, o que aconteceu com o Paulo que o andava a evitar! Não sei bem porque, visto que não temos nada sério um com o outro, mas tenho andado de consciência pesada. Temos andado juntos e eu adoro estar com ele, é lindo de morrer, tem objetivos de vida, o sexo pfff nem se fala e faz-me surpresas maravilhosas. Mas o Paulo, tem qualquer coisa e não lhe estou a conseguir resistir. Entre os dois, o Paulo é muito mais o meu género de homem. Sempre foi com alguém assim que me via a ter um futuro. Passeios de caravana pelo mundo, praia, música e sexo, muito sexo.

Já não me bastava um, agora tenho dois, ao final de tantos anos. Mas o que é que estas alminhas viram em mim é que não consigo perceber. Não sou propriamente uma modelo da Vogue, até pelo contrário estou muito aquém disso. Estou em baixo de forma, roliça, não sou de andar maquiada e demasiado produzida! Porquê!?

"Oi, estou por casa, tenho imenso trabalho… queres passar por cá?" Respondi eu, sem grande vontade, mas não podia evitá-lo durante mais tempo “20 minutos e estou ai! Levo jantar!”.

Tomei um duche rápido, vesti algo confortável e assim que me sentei de novo ao computador, tocou a campainha! Perguntei pelo intercomunicador, e fico sem resposta… deve ter sido engano. Voltei ao computador e assim que abro o documento para começar a editar, voltou a tocar a campainha, mas desta vez era o som da campainha da porta de cima. Estranhei, o Fred ainda ia buscar jantar e só tinham passado 10 minutos, não podia ser já ele.

— Afinal não aguentas-te os 20 minutos e vieste a voar! — Disse em voz alta ao mesmo tempo que abri a porta. Gelei. — Paulo? O que fazes aqui?

— Não me respondeste e fiquei preocupado!

— Está tudo bem, estou em casa a trabalhar, tal como te tinha dito que vinha fazer! Na realidade ainda estou a pensar o que te responder.

— Posso entrar?

— Não leves a mal, mas estou a espera… — Nisto o Fred sai do elevador.

— Boa noite, algum problema?

— Não, Não, o Paulo veio só deixar-me umas fotos que vou precisar para um trabalho que tenho em mãos e como mora aqui perto, passou por cá — Abri-lhe os olhos, quase que implorando para ele alinhar na história que acabava de inventar.

— Sim, sim, pronto toma, tens aqui tudo o que precisas nesta pen, alguma coisa…

— Bem, então espero-te lá dentro, adeus Paulo, até a próxima. — Despediu-se Fred que entrou com o jantar.

— OKAY, eu vou já também — Olhei-o nos olhos e estava ainda surpreendido com o que acabava de acontecer.

— É o teu marido? O teu namorado? Não me ias dizer nada?

— Não tive oportunidade, sinto-me envergonhada, desculpa, não sei o que te dizer, mas foi mais forte que eu, nem eu sei explicar o que está a acontecer, espero ter oportunidade para isso.

— Ele sabe?

— Não!

— Então estamos os dois a ser enganados por ti?

— Paulo, por favor, não é nada disso que estas a pensar! Podemos falar depois? Dás-me oportunidade de te explicar tudo com calma?

— Não sei… diz-me tu? Achas que vale a pena o meu tempo?

— Claro que sim, por favor! Não quero que fiques chateado comigo por um mal-entendido.

— Ok, tens o meu número, é só dizeres quando e onde! Fica bem!

Fechei a porta e tentei perceber onde estava o Fred. Na cozinha estava já a mesa pronta para jantar, mal ele sabia que eu já tinha jantado. Ali estava ele a tomar banho, como se estivesse em casa dele.

— Está tudo bem? — Gritou, assim que se apercebeu da minha presença.

— Sim, está tudo bem — Deixei-me cair na cama, triste com tudo aquilo. Tinha ainda tanto trabalho pela frente e a vontade de lhe pegar era pouca ou nenhuma.

Se houve coisa que aprendi, nestes últimos meses foi a escolher-me.

Nem sempre foi fácil — mas foi necessário. 

– Vou deixar de aceitar menos do que mereço.
– Aprendi a impor limites sem culpa.
– Já não me perco para caber na vida de ninguém.
– Tornei-me mais segura nas minhas decisões.
– Passei a valorizar a minha paz acima de tudo.
– Afastei-me do que não me acrescenta.
– Confio mais em mim do que na opinião dos outros.
– E percebi que recomeçar não é um fim — é poder!

Hoje sinto-me mais leve, mais forte e mais eu.
E, pela primeira vez em muito tempo, verdadeiramente pronta para o que vier.

Esta semana tentei prestar mais atenção às pequenas coisas — e acabei por encontrar pequenos favoritos que fizeram os meus dias mais leves.

☕ Um café novo "hemisfério", já conhecia o espaço quando ainda era um restaurante vegetariano, mas agora está ainda mais giro.
🎧 Uma música que não consigo parar de ouvir, Make Me Feel | Oskar Med K
📖 Um momento só meu, tem sido sem dúvida as minhas idas ao ginásio, e os momentos em que aproveito o sol a bater na cara.
💭 Pensamentos mais calmos do que o habitual, seja o que for, o que vier, bom ou mau, está tudo bem!!

Às vezes não precisamos de grandes mudanças — só de reparar melhor no que já está à nossa volta.

E tu? Já tens alguma descoberta desta semana?

Quinta | 23 de Janeiro de 2020

Tinha saído de uma reunião já tarde e a caminho de casa decidi ir novamente ao restaurante vegetariano ali da rua. O tal que abriu a pouco tempo. Deixei o carro estacionado e fui a pé até lá. Tentei ligar a Joana para saber que gostaria de lá ir ter comigo. Não atendeu. Para variar começou a chover. Já não chovia há uns dias. Só que não.

Cheguei ao restaurante, pedi uma mesa para mim, a rapariga olhou-me de cima a baixo e revirou os olhos de uma forma que tive de me controlar para não lhe arrancar as pestanas falsas com uma pinça. Meu deus, o que leva uma pessoa a ser assim!?

Olhei o menu, fiz o pedido com direito a mais um revirar de olhos. Enquanto observava todos os cantos do restaurante e aguardava o meu pedido, dou com uma cara conhecida.

"Meu deus o “Corredor”… mas este homem está em todo o lado agora!" — Disse envergonhada e com vontade de não ser descoberta. Mas decidi ficar atenta. Afinal de contas, não conheço nada dele.

Estava acompanhado, e bem acompanhado, por um mulherão. Estava de costas mas consegui perceber que era loura (tal como ele), atlética, alta e bem vistosa. A primeira coisa que me veio a cabeça foi "O que terá ele visto em mim!?" Tanto ele como o Fred, podem ter mulheres assim, como esta, e olharam para mim! Ainda não consigo perceber.

Tentei abstrair-me e não pensar mais no assunto. O jantar chegou, tinha pedido uma sopa miso e uns panados de seitan com salada e cuscuz. Tentei comer o mais rápido que consegui para não ser descoberta. Fiz sinal a pedir a conta e a rapariga das pestanas diz-me que tenho de pagar ao balcão à saída. Ainda assim, agradeci, e enquanto me dirigia ao balcão, senti uma mão a agarrar-me a cintura!

— Laura? Bem me parecia que eras tu!?

— Ah! Olá! Por aqui? — Disse a tentar parecer surpresa com a presença dele…

— Sim, vim conhecer o restaurante novo! Abriu há pouco tempo e ainda não tinha conseguido passar por cá… Como estás?

— Estou bem, com algum trabalho! Mas não me queixo, que venham muitos!

Entretanto na nossa direção a vistosa com ele estava aproxima-se.

— Ah Paulo, estás aí?! Fiquei preocupada! Cheguei à mesa e não estavas…

— Raquel, esta é a Laura, uma amiga minha!

— Olá Laura, muito gosto!

— Olá Raquel! — Encarei-o nos olhos. É preciso ter lata, estar com outra rapariga e apresentar-me assim, sem problemas.

— A Raquel é minha irmã e sócia deste restaurante! — Engoli em seco!

— Laura espero que tenhas gostado! Ainda estamos a tentar melhorar algumas coisas, mas acho que estamos no bom caminho.

— Sim, sim, parabéns a comida estava fantástica, deliciosa mesmo… Já cá tinha vindo e continua tudo muito bom — Entretanto ficou um silêncio constrangedor — Peço desculpa, mas ia agora pagar, tenho alguns trabalhos para finalizar ainda hoje e tenho muito que fazer para os enviar.

— Não, não! — Disse a Raquel a tirar-me a conta da mão, que nem tive a oportunidade de verificar, depois de me aperceber que o “corredor” estava no mesmo espaço que eu — Amigos do meu irmão são meus amigos, por isso, esta fica por minha conta. Espero ver-te mais vezes por aqui! — Deu-me um abraço apertado, um beijo e dirigiu-se para uma área só para o staff. Ainda tentei intervir, mas sem sucesso.

— Raquel, por favor, não há necessidade…

— Não te preocupes, não penses mais nisso, pagas o próximo — Entretanto voltou atrás — Desculpa mano, já me ia esquecendo de despedir de ti — Deu-lhe um beijo na bochecha e esfregou-lhe o topo da cabeça — Porta-te bem, juízo! — Ficamos os dois a vê-la desaparecer na porta.


Este ano quero ir com mais calma, mas com mais intenção. Fazer menos por obrigação e mais por vontade. Crescer, mas sem me esquecer de aproveitar o caminho.

1 - Viajar para um sítio novo e sair da minha zona de conforto.
2 - Ler mais livros que realmente me façam pensar.
3 - Cuidar melhor da minha saúde (mente e corpo).
4 - Criar mais, seja escrever, fotografar ou tentar algo novo.
5 - Passar mais tempo com as pessoas que amo.
6 - Dizer mais “sim” a novas experiências.
7 - Organizar melhor a minha vida (e a minha cabeça).
8 - Aprender algo novo que sempre adiei.
9 - Poupar dinheiro.
10 - Aproveitar mais os pequenos momentos.

Que seja um ano leve, mas cheio de significado.
2026 começou de uma forma que eu não planeei.

Começou com uma separação, com silêncio onde antes havia rotina, com perguntas que ainda não têm resposta. Começou com dor — e não vale a pena fingir que não.

Mas, à medida que janeiro avança, uma coisa tornou-se clara para mim:
este ano pode não ser fácil… mas será meu.

Durante muito tempo, vivi a tentar manter tudo em pé. Relações, expectativas, versões de mim que já não cabiam no presente. E, sem perceber, fui-me deixando para depois. Para quando houvesse tempo. Para quando fosse mais conveniente. Para quando doesse menos.

A verdade é que recomeçar dói.
Mas continuar onde já não somos felizes dói muito mais.

Este início de ano tem sido um exercício diário de escuta interior. Aprender a estar sozinha sem me sentir vazia. Aceitar dias bons sem culpa e dias maus sem pressa de os corrigir. Perceber que ser forte não é aguentar tudo — é saber parar.

No meio de tudo isto, há duas razões que me mantêm de pé todos os dias: os meus filhos.
São eles que me lembram que posso cair, mas não posso desistir. Que me mostram, mesmo sem palavras, que recomeçar também é um ato de amor — por mim e por eles. Quero que cresçam a ver uma mãe inteira, honesta, que escolhe a verdade mesmo quando ela custa.

Não tenho um plano perfeito para 2026.
Não tenho certezas absolutas.
Mas tenho algo que antes me faltava: escolha.

Escolho respeitar os meus limites.
Escolho não me perder para caber na vida de alguém.
Escolho reconstruir-me com calma, verdade e intenção.

Este será o ano em que aprendo a gostar da minha própria companhia.
Em que celebro pequenas vitórias invisíveis.
Em que aceito que algumas respostas só chegam com o tempo.

2026 não será fácil.
Haverá dias de saudade, medo e dúvidas.
Mas também haverá liberdade, crescimento e uma versão minha mais consciente.

E, pela primeira vez em muito tempo, isso basta.

Porque este ano — com todas as suas imperfeições — será meu.
E será também o ano em que ensino, pelo exemplo, que recomeçar é possível.

Mensagens antigas Página inicial

ABOUT ME

Eu podia olhar para trás na minha vida e tirar uma boa história dela. Sou só alguém a tentar descobrir coisas.

Redes Sociais

POPULAR POSTS

  • Coisas que mudaram em mim nos últimos tempos
  • Descobertas da Semana #1
  • 10 coisas que quero fazer este ano
  • Escrever #26

Formulário de Contacto

Nome

Email *

Mensagem *

Pesquise aqui


Post Populares

  • (sem nome)
  • ...
  • Vamos ver os 100 melhores filmes do século XXI até ao final de setembro

Trend

  • Coisas que mudaram em mim nos últimos tempos
  • Descobertas da Semana #1
  • 10 coisas que quero fazer este ano

Labels

  • 4 things i like 66
  • Encontrei 21
  • Filmes 164
  • Receitas 32
  • Séries 33
  • romance 33
  • vegetariana 4

Designed by OddThemes | Distributed By Gooyaabi Template