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Quinta | 23 de Janeiro de 2020

Tinha saído de uma reunião já tarde e a caminho de casa decidi ir novamente ao restaurante vegetariano ali da rua. O tal que abriu a pouco tempo. Deixei o carro estacionado e fui a pé até lá. Tentei ligar a Joana para saber que gostaria de lá ir ter comigo. Não atendeu. Para variar começou a chover. Já não chovia há uns dias. Só que não.

Cheguei ao restaurante, pedi uma mesa para mim, a rapariga olhou-me de cima a baixo e revirou os olhos de uma forma que tive de me controlar para não lhe arrancar as pestanas falsas com uma pinça. Meu deus, o que leva uma pessoa a ser assim!?

Olhei o menu, fiz o pedido com direito a mais um revirar de olhos. Enquanto observava todos os cantos do restaurante e aguardava o meu pedido, dou com uma cara conhecida.

"Meu deus o “Corredor”… mas este homem está em todo o lado agora!" — Disse envergonhada e com vontade de não ser descoberta. Mas decidi ficar atenta. Afinal de contas, não conheço nada dele.

Estava acompanhado, e bem acompanhado, por um mulherão. Estava de costas mas consegui perceber que era loura (tal como ele), atlética, alta e bem vistosa. A primeira coisa que me veio a cabeça foi "O que terá ele visto em mim!?" Tanto ele como o Fred, podem ter mulheres assim, como esta, e olharam para mim! Ainda não consigo perceber.

Tentei abstrair-me e não pensar mais no assunto. O jantar chegou, tinha pedido uma sopa miso e uns panados de seitan com salada e cuscuz. Tentei comer o mais rápido que consegui para não ser descoberta. Fiz sinal a pedir a conta e a rapariga das pestanas diz-me que tenho de pagar ao balcão à saída. Ainda assim, agradeci, e enquanto me dirigia ao balcão, senti uma mão a agarrar-me a cintura!

— Laura? Bem me parecia que eras tu!?

— Ah! Olá! Por aqui? — Disse a tentar parecer surpresa com a presença dele…

— Sim, vim conhecer o restaurante novo! Abriu há pouco tempo e ainda não tinha conseguido passar por cá… Como estás?

— Estou bem, com algum trabalho! Mas não me queixo, que venham muitos!

Entretanto na nossa direção a vistosa com ele estava aproxima-se.

— Ah Paulo, estás aí?! Fiquei preocupada! Cheguei à mesa e não estavas…

— Raquel, esta é a Laura, uma amiga minha!

— Olá Laura, muito gosto!

— Olá Raquel! — Encarei-o nos olhos. É preciso ter lata, estar com outra rapariga e apresentar-me assim, sem problemas.

— A Raquel é minha irmã e sócia deste restaurante! — Engoli em seco!

— Laura espero que tenhas gostado! Ainda estamos a tentar melhorar algumas coisas, mas acho que estamos no bom caminho.

— Sim, sim, parabéns a comida estava fantástica, deliciosa mesmo… Já cá tinha vindo e continua tudo muito bom — Entretanto ficou um silêncio constrangedor — Peço desculpa, mas ia agora pagar, tenho alguns trabalhos para finalizar ainda hoje e tenho muito que fazer para os enviar.

— Não, não! — Disse a Raquel a tirar-me a conta da mão, que nem tive a oportunidade de verificar, depois de me aperceber que o “corredor” estava no mesmo espaço que eu — Amigos do meu irmão são meus amigos, por isso, esta fica por minha conta. Espero ver-te mais vezes por aqui! — Deu-me um abraço apertado, um beijo e dirigiu-se para uma área só para o staff. Ainda tentei intervir, mas sem sucesso.

— Raquel, por favor, não há necessidade…

— Não te preocupes, não penses mais nisso, pagas o próximo — Entretanto voltou atrás — Desculpa mano, já me ia esquecendo de despedir de ti — Deu-lhe um beijo na bochecha e esfregou-lhe o topo da cabeça — Porta-te bem, juízo! — Ficamos os dois a vê-la desaparecer na porta.


Este ano quero ir com mais calma, mas com mais intenção. Fazer menos por obrigação e mais por vontade. Crescer, mas sem me esquecer de aproveitar o caminho.

1 - Viajar para um sítio novo e sair da minha zona de conforto.
2 - Ler mais livros que realmente me façam pensar.
3 - Cuidar melhor da minha saúde (mente e corpo).
4 - Criar mais, seja escrever, fotografar ou tentar algo novo.
5 - Passar mais tempo com as pessoas que amo.
6 - Dizer mais “sim” a novas experiências.
7 - Organizar melhor a minha vida (e a minha cabeça).
8 - Aprender algo novo que sempre adiei.
9 - Poupar dinheiro.
10 - Aproveitar mais os pequenos momentos.

Que seja um ano leve, mas cheio de significado.
2026 começou de uma forma que eu não planeei.

Começou com uma separação, com silêncio onde antes havia rotina, com perguntas que ainda não têm resposta. Começou com dor — e não vale a pena fingir que não.

Mas, à medida que janeiro avança, uma coisa tornou-se clara para mim:
este ano pode não ser fácil… mas será meu.

Durante muito tempo, vivi a tentar manter tudo em pé. Relações, expectativas, versões de mim que já não cabiam no presente. E, sem perceber, fui-me deixando para depois. Para quando houvesse tempo. Para quando fosse mais conveniente. Para quando doesse menos.

A verdade é que recomeçar dói.
Mas continuar onde já não somos felizes dói muito mais.

Este início de ano tem sido um exercício diário de escuta interior. Aprender a estar sozinha sem me sentir vazia. Aceitar dias bons sem culpa e dias maus sem pressa de os corrigir. Perceber que ser forte não é aguentar tudo — é saber parar.

No meio de tudo isto, há duas razões que me mantêm de pé todos os dias: os meus filhos.
São eles que me lembram que posso cair, mas não posso desistir. Que me mostram, mesmo sem palavras, que recomeçar também é um ato de amor — por mim e por eles. Quero que cresçam a ver uma mãe inteira, honesta, que escolhe a verdade mesmo quando ela custa.

Não tenho um plano perfeito para 2026.
Não tenho certezas absolutas.
Mas tenho algo que antes me faltava: escolha.

Escolho respeitar os meus limites.
Escolho não me perder para caber na vida de alguém.
Escolho reconstruir-me com calma, verdade e intenção.

Este será o ano em que aprendo a gostar da minha própria companhia.
Em que celebro pequenas vitórias invisíveis.
Em que aceito que algumas respostas só chegam com o tempo.

2026 não será fácil.
Haverá dias de saudade, medo e dúvidas.
Mas também haverá liberdade, crescimento e uma versão minha mais consciente.

E, pela primeira vez em muito tempo, isso basta.

Porque este ano — com todas as suas imperfeições — será meu.
E será também o ano em que ensino, pelo exemplo, que recomeçar é possível.


Tell me Softly | Kami, que tem o mundo abalado com a volta dos irmãos Di Bianco à sua vida. No passado, Thiago Di Bianco foi quem lhe deu o primeiro beijo, enquanto Taylor Di Bianco era o amigo que a protegia sempre.
Agora, Kami não é mais a menina inocente que eles conheciam: desde que foram embora, parece que ninguém pode realmente acessá-la. Ninguém além deles.

The Lost Bus | Um pai determinado arrisca tudo para salvar uma professora e os alunos de um incêndio florestal devastador. Inspirado em eventos reais.

Wicked | Elphaba é uma jovem como outra qualquer do Reino de Oz. A rotina é tranquila e pouco interessante. No entanto, quando alguns episódios que acontecem na sua vida mudam o destino para sempre, ela passa a ser conhecida como a Bruxa Má do Oeste. O fato é que existem dois lados para cada história e a Bruxa Má está determinada a provar a verdade e a consertar os erros do passado.

Vulgar | A vida aparentemente perfeita de Angelika esconde uma falta de realização. Enquanto organiza o casamento de sua melhor amiga, ela conhece Simon, o irmão ousado e apaixonado da amiga, que desafia os princípios e crenças de vida profundamente arraigados de Angelika.

The Ugly Stepsister | Elvira luta contra a meia-irmã num reino onde a beleza suprema reina. Ela recorre a medidas extremas para cativar o príncipe, em meio a uma competição implacável pela perfeição física.



Ask Sadece Bir An | Duas almas de mundos opostos, Rüzgar e Hayal, encontram-se e lutam para manter o amor vivo enquanto enfrentam seus passados dolorosos e as barreiras culturais que as separam.

Oh Hi | Passando um fim de semana romântico nas montanhas, Iris acha que Isaac vai finalmente pedí-la em casamento — mas ele, apavorado pela ideia de se comprometer, tem outros planos.

Sidelined 2 | O astro quarterback Drayton e a dançarina Dallas enfrentam desafios no relacionamento no meio da recuperação dele e às dúvidas dela sobre o futuro. O vínculo entre eles desgasta-se enquanto lidam com a distância e as mudanças pessoais.

Regretting You | Morgan tornou-se mãe ainda jovem, colocando os próprios sonhos em espera para criar a filha, Clara. Conforme a rapariga se torna numa adolescente, a relação entre elas torna-se tensa, especialmente após um trágico acidente.

My Secret Santa | Uma mãe solteira cheia de energia que, precisando de um emprego, se disfarça de homem para ser contratada como Pai Natal sazonal num resort de ski de luxo. Quando ela começa a se apaixonar pelo gerente do hotel, complicações certamente surgem.



Frankenstein | Um cientista brilhante, mas egocêntrico, dá vida a uma criatura num experimento monstruoso que acaba levando à ruína do criador e de sua trágica criação.

Maintenance Required | Charlie, forçada a reavaliar a sua oficina mecânica só de mulheres, sem saber, confia em seu confidente virtual Beau, que acaba revelando-se ser o seu rival de negócios na vida real. A conexão entre elas floresce em meio à rivalidade profissional.

Malamore | Mary encontra valor no seu romance com Giulio, seu instrutor de equitação, para desafiar seu parceiro criminoso Nunzio no sul de Itália.

Nossa Culpa | O casamento de Jenna e Lion marca o tão esperado reencontro entre Noah e Nick após o término. A incapacidade de Nick de perdoar Noah é uma barreira intransponível. Ele, herdeiro dos negócios do avô, e ela, iniciando a vida profissional, evitam alimentar uma chama ainda acesa. Mas, agora que seus caminhos se cruzaram novamente, será o amor mais forte que o ressentimento?

Die my Love | Grace acaba de ser mãe pela primeira vez. Aspirante a escritora, decide sair de Nova Iorque em busca de uma vida mais calma e muda-se com a família para a antiga casa de infância do marido, numa zona rural de Montana. Aos poucos, começa a enfrentar sentimentos de isolamento e sofrimento psicológico. Com a saúde mental em declínio no período de pós-parto, a realidade vai levando o casamento a um território inquietante e imprevisível.



After the Hunt | Uma professora universitária encontra-se numa encruzilhada pessoal e profissional quando uma aluna faz uma acusação contra um professor, e um segredo obscuro do seu próprio passado ameaça vir à tona.

All of you | Num mundo onde um teste identifica almas gêmeas, dois melhores amigos passam mais de uma década tentando resistir à atração que sentem, enquanto lidam com casamentos, filhos e tragédias pessoais.

Caught Stealing | Hank Thompson era um fenômeno do basebol no colégio, mas agora não pode mais jogar. Mesmo assim, o resto da sua vida vai bem. Tem uma namorada incrível, trabalha como barman num bar em Nova York. Quando o vizinho, Russ, pede que cuide do seu gato por alguns dias, Hank de repente vê-se no meio de um grupo nada convencional de gângsteres. Todos querem algo dele — o problema é que ele não faz ideia do quê. Enquanto tenta escapar do cerco que se fecha cada vez mais, Hank vai precisar usar toda a sua esperteza para sobreviver tempo suficiente e descobrir o motivo.

Byzantium | Clara é uma jovem mãe vampira que morde a filha Eleanor. Procurando por refúgio, a dupla mortal conhece o solitário Noel. Pouco tempo depois, a adolescente faz amizade com Frank e conta que elas sobrevivem com sangue humano há cerca de 200 anos. O segredo começa a espalhar-se e o passado das mulheres vai voltar para assombrá-las.



Querida eu,

Se eu pudesse voltar vinte anos atrás, sentava-me à tua frente com calma. Não para te julgar — fizeste o melhor que sabias — mas para te dizer coisas que ninguém te disse. Ou que disseste a ti mesma e ignoraste.

No início, era bonito. Havia amor, desejo, planos ditos em voz alta e outros só imaginados. Éramos um casal. Ríamos. Tocávamo-nos. Escolhíamo-nos.

Depois vieram os filhos. Dois filhos lindos. E eu dei-me inteira a eles, como se isso fosse a única forma certa de amar. Fui mãe com tudo o que tinha — e com tudo o que era.

O problema, querida eu, é que enquanto eu crescia como mãe, fui encolhendo como mulher.

Anulei-me. Primeiro devagar, quase sem perceber. Depois por completo. Deixei de perguntar o que eu queria. Deixei de sonhar em voz alta. Passei a existir em função dos outros.

E nós, enquanto casal? Fomos ficando para depois. O romantismo foi-se perdendo entre rotinas, cansaços e silêncios. O companheirismo transformou-se em logística. Conversávamos sobre filhos, contas, horários — raramente sobre nós.

Dormíamos na mesma cama, mas afastávamo-nos por dentro.

Eu achava que era normal. Achava que era uma fase. Achava que amar era aguentar. Que ser forte era calar. Que ser boa mulher era não incomodar.

Não era.

Hoje percebo que, ao anular-me, também anulei o casal. Porque uma relação não sobrevive quando uma das partes desaparece. Não há desejo sem identidade. Não há amor vivo quando só sobra função.

E depois de vinte anos… veio o fim. Um fim seco. Um chuto no cu que me acordou de uma vida vivida em piloto automático.

O que mais dói não é o abandono. É olhar para trás e perceber que deixei de ser eu muito antes de ele ir embora.

Por isso, se eu pudesse voltar no tempo, dir-te-ia:

Não te apagues. Não te sacrifiques até não sobrar nada. Não deixes o casal morrer em nome da família. Não aceites migalhas de presença. Não confundas amor com esquecimento de ti.

Ama os teus filhos — mas ama-te também. Ama o teu parceiro — mas exige reciprocidade.

Hoje estou a reaprender quem sou. É estranho. Assusta. Às vezes dói mais do que o fim. Mas há uma coisa que sei: ainda estou aqui. E desta vez, não me vou abandonar.

Com carinho, Eu

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Eu podia olhar para trás na minha vida e tirar uma boa história dela. Sou só alguém a tentar descobrir coisas.

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