2026 não será fácil, mas será meu...

2026 começou de uma forma que eu não planeei.

Começou com uma separação, com silêncio onde antes havia rotina, com perguntas que ainda não têm resposta. Começou com dor — e não vale a pena fingir que não.

Mas, à medida que janeiro avança, uma coisa tornou-se clara para mim:
este ano pode não ser fácil… mas será meu.

Durante muito tempo, vivi a tentar manter tudo em pé. Relações, expectativas, versões de mim que já não cabiam no presente. E, sem perceber, fui-me deixando para depois. Para quando houvesse tempo. Para quando fosse mais conveniente. Para quando doesse menos.

A verdade é que recomeçar dói.
Mas continuar onde já não somos felizes dói muito mais.

Este início de ano tem sido um exercício diário de escuta interior. Aprender a estar sozinha sem me sentir vazia. Aceitar dias bons sem culpa e dias maus sem pressa de os corrigir. Perceber que ser forte não é aguentar tudo — é saber parar.

No meio de tudo isto, há duas razões que me mantêm de pé todos os dias: os meus filhos.
São eles que me lembram que posso cair, mas não posso desistir. Que me mostram, mesmo sem palavras, que recomeçar também é um ato de amor — por mim e por eles. Quero que cresçam a ver uma mãe inteira, honesta, que escolhe a verdade mesmo quando ela custa.

Não tenho um plano perfeito para 2026.
Não tenho certezas absolutas.
Mas tenho algo que antes me faltava: escolha.

Escolho respeitar os meus limites.
Escolho não me perder para caber na vida de alguém.
Escolho reconstruir-me com calma, verdade e intenção.

Este será o ano em que aprendo a gostar da minha própria companhia.
Em que celebro pequenas vitórias invisíveis.
Em que aceito que algumas respostas só chegam com o tempo.

2026 não será fácil.
Haverá dias de saudade, medo e dúvidas.
Mas também haverá liberdade, crescimento e uma versão minha mais consciente.

E, pela primeira vez em muito tempo, isso basta.

Porque este ano — com todas as suas imperfeições — será meu.
E será também o ano em que ensino, pelo exemplo, que recomeçar é possível.

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